Mostrando postagens com marcador Saúde. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Saúde. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Maternidade no Congelador

 

  

Toda manhã aqui nesta ilha, duas em cada três mulheres (entre 20 e 24 anos)  mandam a pílula goela abaixo, sem nem pensar muito no assunto. De fato, 70% das mulheres no Reino Unido já tomaram o anticoncepcional em algum ponto de suas vidas. É fácil conseguir o medicamento em qualquer farmácia. Basta a receita médica. Um ato tão corriqueiro que a gente se esquece de que já foi diferente.
  
 
 
Gregory Pincus
 

O ‘pai’ da pílula é um biólogo americano chamado Gregory Pincus. Mas o ‘nascimento’ da droga bem que poderia ser creditado ao encontro do cientista com duas mulheres poderosas e determinadas na metade do século vinte.



Margaret Sanger

  


A mãe de Margaret Sanger morreu aos 50 anos, depois de ficar grávida 18 vezes. Diz a história que Margaret teria acusado seu pai, ao lado do caixão, de ter provocado a morte da mãe, por ela ter tido tantos filhos. Margaret estudou enfermagem e sonhava com uma pílula mágica para prevenir gravidez indesejada. Assim como Pincus, Margaret era uma pioneira. Ela foi responsável pelo termo controle de natalidade, em 1914. Em 1916, abriu a primeira clínica de planejamento familiar nos Estados Unidos e foi presa por distribuir material com informações sobre métodos contraceptivos.

 
 
 
Katherine McCormick
 
 

Katherine McCormick era outra pioneira. Foi a segunda mulher a se formar no MIT (Massachussetts Institute of Technology), uma das melhores universidades do mundo. Ela se casou com um milionário, que acabou ficando doido e coube a ela administrar o império do marido. McCormick era uma feminista cheia da nota e interessada em planejamento familiar.
 

A ideia de se produzir um anticoncepcional era muito mal vista nos Estados Unidos da era McCarthy (1950/1956). Querer controlar o número de nascimentos era coisa dos vermelhos, os comunistas. A indústria farmacêutica era reticente em investir nas pesquisas, pois considerava um tiro no escuro, que poderia ser potencialmente perigoso. As universidades também não queriam arriscar suas reputações em uma pesquisa cercada de controvérsias.
 

Margaret Sanger foi a ponte entre Pincus (ciência) e McCormick (dinheiro). A milionária teria doado mais de 12 milhões de dólares para financiar as pesquisas do anticoncepcional. A nova droga foi testada primeiro em mulheres de Porto Rico e do Haiti.

 
 

 
70% das mulheres no Reino Unido já tomaram

 

 

 A pílula chegou a esta ilha em 1961. Inicialmente era prescrita somente para as mulheres casadas e que já tinham filhos. O governo não queria incentivar ‘o amor livre e a promiscuidade’. Até 1974, as solteiras tinham que fingir que eram casadas para conseguir o contraceptivo. 
 

A primeira geração do medicamento tinha em média quase o dobro de estrogênio e dez vezes mais progesterona do que as disponíveis no mercado atualmente. Muitas mulheres reclamavam de ganho de peso, dores de cabeça e enjoo. Descobriu-se mais tarde, que as primeiras versões do anticoncepcional aumentavam o risco de câncer e trombose. Mesmo com todos os desacertos, Valerie Beral (uma professora de Oxford e estudiosa da pílula) acredita que o contraceptivo ‘foi para a saúde da mulher, a coisa mais importante da segunda metade do século vinte’. Entretanto, quando foi introduzida no mercado, a pílula não enfrentou somente  resistências morais e religiosas. Alguns profissionais da área de saúde questionavam se era ético medicar mulheres saudáveis.


Empresas oferecem ajuda para congelar os óvulos
 
  
 
Apple e Facebook anunciaram recentemente que vão subsidiar os custos do congelamento de óvulos de suas funcionárias, que quiserem adiar a maternidade. Nas duas empresas, cerca de 70% dos funcionários são homens. Com o ‘agrado’, elas esperam atrair mais mulheres para seus quadros.
 
 Congelamento de óvulos não é nenhuma novidade. Inicialmente o tratamento era oferecido a pacientes de câncer, que corriam o risco de infertilidade por causa da quimioterapia. Contudo, a prática vem crescendo nesta ilha. Só no ano passado houve um aumento de 400% no número de mulheres que congelaram os ovos, uma espécie de caderneta de poupança da fertilidade humana. Como no caso da pílula, profissionais da área de saúde e líderes religiosos questionam se é ético submeter mulheres saudáveis e provavelmente férteis a tratamentos de saúde, que podem fazer com que essas pacientes acabem de fato doentes.

‘É como ter TPM todos os dias da sua vida’. Assim uma amiga próxima descreveu o tratamento para que seu corpo produzisse mais óvulos, na esperança de que eles fossem fertilizados e produzissem o filho, que ela tanto desejava. As mulheres, ao contrário de outros mamíferos, não produzem muitos ovos todo mês. O sucesso da fertilização em vitro depende de uma série de fatores: em primeiro lugar, a idade da mulher. Também conta se ela fuma, bebe. Se é obesa ou muito abaixo do peso. Mas em geral, o índice de sucesso de cada óvulo é de cerca de 6%. Por isso, são necessários entre vinte e trinta ovos para que a mulher tenha alguma chance de engravidar. Para que a ‘colheita’ de ovos valha a pena, a candidata se submete a um tratamento que estimula o corpo a produzi-los em maior escala. Como em qualquer outra intervenção médica, tem seus riscos para a saúde.
 
 
Pesquisando para este post, acabei encontrando um debate muito interessante na TV Al Jazeera. De um lado, a católica Josephine Quintavalle, diretora da Corethics - uma entidade que questiona os dilemas éticos da reprodução humana. Do outro, Dominic Stoop, um ginecologista, diretor do centro de medicina reprodutiva de uma universidade em Bruxelas. Ambos tinham argumentos fortes sobre o assunto. 


Para Josephine, a discussão está no lugar errado. Segundo ela, a sociedade devia questionar mais as condições de trabalho da mulher; elas deveriam ter a oportunidade real de desenvolver uma carreira ao mesmo tempo em que ‘produzem’ uma família. Depois dos 35 anos de idade, a fertilidade feminina despenca. Ao invés de tentar comprar mais tempo, segundo ela, o debate deveria estar focado não em adaptar a biologia à sociedade e sim o contrário. Ponto para Josephine. Mas, na prática, o quão realistas são suas aspirações? 


O ginecologista encara o assunto como medicina preventiva. Ele revelou que 80% das mulheres que procuram sua clínica na Bélgica são solteiras. Dr Stoop acredita que as mulheres não estejam adiando a maternidade apenas para cuidar de suas carreiras profissionais. Para ele, o principal motivo alegado por suas pacientes é de que elas ainda não encontraram o homem ideal. Aí é que a discussão começa a ficar mais interessante.
 


Os óvulos podem passar até 10 anos no nitrogênio líquido
 



Apesar de todas as restrições ao uso da pílula na década de 60 neste lado do planeta, o número de usuárias subiu de 50 mil para um milhão entre 1962 e 1969. Hoje mais de 3.5 milhões de mulheres fazem uso do medicamento nesta ilha – 100 milhões ao redor do mundo. Ou seja, havia e ainda há uma demanda enorme pelo produto. Cinquenta e poucos anos após a invenção do anticoncepcional, a pílula é frequentemente acusada de promover promiscuidade, aumentar o número de doenças sexualmente transmissíveis (despreocupados com uma gravidez indesejada, os casais se importam menos em prevenir as DST), além de destruir famílias e casamentos.


Talvez o maior legado da pílula tenha sido a independência feminina. É claro que existiam outros métodos anticoncepcionais, mas não eram tão confiáveis e dependiam da boa vontade masculina. Sexo antes do casamento era um risco absurdo para a mulher. Até a invenção do contraceptivo oral, os casais se casavam mais cedo. As mulheres engravidavam logo, tornando quase impossível um investimento na carreira profissional. E se é para ficar em casa cuidando de criança, para que estudar?  Esse cenário mudou e todo mundo sabe disso.
 


A mulher que estuda mais e investe na carreira é mais seletiva. Ela quer um parceiro que, sem trocadilhos, seja páreo para ela. Esta é uma das possíveis explicações para o fato de que as mulheres estejam achando mais difícil encontrar o homem ideal. E se esse ‘encontro’ estiver mais difícil porque os homens estão menos disponíveis?  Na década de 50 no Reino Unido, apenas um em cada cem adultos dividia a mesma casa com outro adulto sem ser casado. Hoje em dia este número caiu para um em cada seis. A bola está com as mulheres. Justo ou não, existe a noção de que se ela engravidou, foi porque não se cuidou. Os homens já não se sentem obrigados a casar para ‘corrigir um malfeito’. Também não precisam se casar para se relacionar sexualmente com as namoradas.
 


Outro dia li a história de uma alemã de 65 anos grávida de quadrigêmeos, graças a um tratamento. Este tipo de notícia cria a falsa impressão de que a tecnologia controla a biologia. Para os casais que tiveram filho, ajudados por técnicas de reprodução em vitro, a afirmativa acima é a mais pura verdade. Mas tem limite.
 


A caderneta de poupança da fertilidade é um investimento de altíssimo risco. Um risco que o Dr Robert Winston, especialista em fertilidade, desaconselha. Para ele, ainda não está claro o índice de sucesso do congelamento (os óvulos podem passar até 10 anos no nitrogênio líquido). Além do mais existe uma chance muito alta de abortos e ainda não é possível prever se os bebês vão desenvolver doenças, que ainda não conhecemos. Nada é garantido.
 


A mulher, que procura uma clínica para congelar os óvulos, quer ter mais controle sobre seu corpo. Se é certo ou errado essa é uma questão muito íntima. O que não pode acontecer de jeito nenhum é a mulher se sentir obrigada por seu empregador a tomar essa decisão. Ela deve ser informada sobre riscos e chances de sucesso.

 

Hoje de manhã li a notícia de que cientistas japoneses conseguiram que um peixe fêmea produzisse espermatozoides. Sei lá se é a última pegadinha da internet. Se não for, a discussão no futuro pode ser bem diferente.
 




terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Cortando gorduras

 



John é obeso. Não trabalha porque o excesso de peso o tornou incapaz. Ele vive de benefícios do governo. De acordo com estimativas do partido Conservador, atualmente no poder e em franca campanha para a reeleição em maio, John é apenas um de um grupo de cem mil pessoas que vivem à custa do governo por problemas de obesidade, ou porque são viciados em drogas e álcool. É justo que o contribuinte sustente essa turma?

 

O primeiro-ministro David Cameron acha que não. Anunciou esta semana que, se reeleito, vai cortar os benefícios de gordos e viciados, que recusarem tratamento para mudar de vida. Para que este post não fique longo demais, resolvi falar só do problema da obesidade. Então vamos lá.

 

A obesidade quadriplicou nos últimos vinte e cinco anos nesta ilha. Um em quatro adultos no Reino Unido é obeso e o pior é que não são só eles. O problema afeta uma em cada cinco crianças entre dez e onze anos. A previsão é de que no ano de 2020, um em cada três adultos será obeso. A situação é tão grave, que se diz agora que a gordura é o novo cigarro. O excesso de peso traz consequências péssimas para a saúde, aumenta o risco de diabetes do tipo dois, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer, como o de mama e o de intestino. Só a diabetes custa ao NHS (o Serviço Nacional de Saúde) nove bilhões de libras por ano de acordo com o Diabets UK, cerca de trinta e seis bilhões de reais. Estima-se que dos dois milhões e meio de cidadãos vivendo do seguro saúde, cerca de um milhão e meio receba o benefício por mais de cinco anos. Ao justificar seu plano, David Cameron argumenta que é um enorme desperdício de potencial humano.

 

Se o Primeiro-ministro vai cumprir o que anda falando, caso seja reeleito, ainda não sabemos. A oposição diz que isso é bravata de campanha para arrebanhar mais eleitores. Diz que o plano é típico dos conservadores elitistas e sua tendência de punir os mais pobres. A ideia de tentar resolver o problema da gordura onde dói mais, no bolso, é polêmica, mas não tem nada de original.

 

Em 2008, o Japão adotou uma política de redução da cintura, com o objetivo de eliminar gordura na população. Detalhe, apenas 3% dos japoneses eram obesos, mas os indicadores apontavam para um aumento significativo no número de gordos, caso o problema não fosse atacado de frente.

 

Ao contrário da maioria dos países desenvolvidos do lado de cá do globo, a sociedade japonesa é extremamente coletivista. Por isso mesmo, as penalidades não incorrem ao cidadão e sim às companhias e governos locais. Pela chamada Lei Metabo (de síndrome metabólica, que é como os japoneses chamam a obesidade), adultos entre 40 a 75 anos são pesados e as cinturas são medidas anualmente. A cintura dos homens não deve passar de 85 cm e das mulheres de 89 cm. Se falharem em atingir a meta, envergonham a comunidade local ou empresa onde trabalham, que têm de arcar com a multa. Se você, como eu, também se preocupou com os pobres lutadores de sumô, aí vai mais uma informação nipônica: a maioria deles se aposenta antes dos 40. Portanto, não tem desculpa.
 




Campanha japonesa

 




Quando foi lançada, a Metabo previa a redução dos índices de obesidade em 25% até o ano de 2015. Vai ser interessante verificar se funcionou ou não. O que se sabe até agora é que a lei provocou um aumento na venda de equipamentos de ginástica, de produtos que prometem perda de peso e de frequentadores de academias. Além disso, muitos japoneses aderiram às dietas malucas, nas semanas que precedem o exame.

 

Mas os ingleses não são japoneses e a sociedade aqui é muito diferente. Além do mais, não é a primeira vez que o Primeiro-ministro busca na carteira a solução do problema real que é a obesidade. Em 2011, David Cameron ameaçou introduzir o ‘Fat Tax’, o imposto gordura. A ideia de aumentar o imposto de produtos engordativos também não é inédita. Outro país, desta vez bem mais perto daqui, tentou uma estratégia semelhante. 


Em outubro de 2011, a Dinamarca introduziu o ‘imposto gordura’ para a manteiga, leite, queijo, pizza, carne, óleo e outros alimentos que contém mais de 2,3% de gordura saturada. Um ano depois a lei foi abolida. Ela falhou em mudar os hábitos alimentares dos dinamarqueses, que passaram a cruzar a fronteira para comprar produtos mais baratos, o que colocou muitos empregos locais em risco. A lei custou um enorme capital político ao governo. O então ministro da agricultura, alimentos e pesca declarou que o ‘imposto gordura’ foi a lei mais impopular que eles tiveram em muito tempo.

 

Resolver o problema da obesidade através de leis é polêmico, mas é necessário que o governo entre nesta batalha, argumentam os médicos britânicos. Em 2013, duzentos e vinte mil médicos se juntaram para demandar um imposto de 20% para os refrigerantes e outras bebidas açucaradas. E não foi só isso. Querem refeições mais frescas e saudáveis em hospitais, a proibição de lanchonetes fast food próximo às escolas, mais verba para combater a obesidade, proibição de anúncios de produtos que tenham alto teor de sal, gordura saturada e açúcar antes das nove da noite, além da introdução das ‘etiquetas semáforo’ nas embalagens. As etiquetas usam as cores, vermelho, laranja e verde para os índices de calorias, açúcar e sal. Verde é o mais saudável. Laranja para ser consumido eventualmente e vermelho, que deve ser evitado. A informação visual clara ajuda o consumidor a fazer suas escolhas.
 

 

 
Etiqueta 'semáforo'



 


O problema é que nem sempre é possível escolher. Sou do tipo que vai o supermercado comprar uma coisinha e sai com o carrinho cheio. Mas outro dia consegui me comportar. Saí de lá somente com o que fui comprar; uma pizza pronta e cebola. Quase caí para trás quando fui pagar pela compra. Um pacote com três cebolas custou quatro reais a mais do que o que paguei pela pizza marguerita. Alimento fresco neste país é caríssimo. Uma caixa de profiteroles recheados de creme e gordura hidrogenada é mais barato do que um pacote de maçãs, que é a fruta mais abundante por aqui. O que me deixa encafifada: o que é que tem nos alimentos processados que custa tão barato?  


Açúcar, muito açúcar é o que diz o endocrinologista Robert Lustig, especialista em obesidade infantil.  E o pior é que o diabo se apresenta com vários nomes: malte diastático, dextrano, maltose,  xarope de sorgo, fructose e glucose. Esses nomes esquisitos, segundo o médico, fazem parte de uma estratégia sem-vergonha da indústria de alimentos para enfiar açúcar goela abaixo do consumidor, sem ele saber o que está consumindo. Adoçar os alimentos faz com que eles fiquem mais apetitosos e durem mais, o que aumenta o tempo de prateleira. Peguei, ao acaso, seis produtos que tinha na dispensa. Todos continham muito açúcar, até o feijão com molho de tomate, que os ingleses comem no café da manhã.

 

 

 
Produtos açucarados





 

 
Em seu livro, Fat Chance, o doutor Lustig defende a ideia de que os governos deveriam realocar os subsídios destinados ao cultivo de milho e soja (indispensáveis para a indústria de alimentos processados) e focar mais no cultivo de outros legumes e verduras. Ele engrossa o grupo que defende uma sobretaxa para os produtos açucarados.
 

O problema é encontrar quem tenha vontade política de adotar as medidas que são extremamente impopulares. O próprio Primeiro-ministro já defendeu que se fixe um preço mínimo para bebidas alcóolicas, como uma das estratégias para diminuir o consumo exagerado do produto. Latiu, mas não mordeu. Em 2013, o governo voltou atrás e disse que não havia evidências sólidas de que a medida iria funcionar. No ano passado, entrou em vigor uma lei que não permite a venda de bebidas abaixo do preço de custo, foi o máximo que conseguiram. Na Columbia Britânica, uma província do Canadá, a política de preço mínimo foi adotada há mais de vinte anos e os resultados são inegáveis na redução do consumo de bebidas alcóolicas.

 

Fixar um preço mínimo para bebidas atinge o pobre mais do que o rico, certo?  Parece óbvio, mas é mais complexo do que isso. Um estudo publicado no ano passado pelo NHS diz que estabelecer um preço mínimo por unidade de álcool afeta positivamente os pacientes no grupo de risco em todas as classes socioeconômicas. E vai além: os consumidores mais pobres são menos afetados, porque consomem menos bebidas alcoólicas do que os mais ricos.
 

Voltando ao plano de David Cameron de cortar os benefícios dos obesos, que recusarem tratamento. Será que é uma boa? Realisticamente, quantas pessoas obesas fazem dieta e mantêm o peso ideal depois de dois anos? É tão fácil assim? Anunciar que vai cortar benefícios é mole. Enfrentar o lobby da indústria alimentícia e regular a quantidade de açúcar nos alimentos é briga de cachorro grande. Como sempre, parece que ir atrás do corrompido é uma saída mais simples. Penalizar os ‘sanguessugas’ da sociedade rende muito mais votos do que aumentar o imposto dos alimentos e cobrar da indústria seu papel de responsabilidade. Cabe ao Estado agradar ao eleitor, ou defender os interesses de seus cidadãos? 


Quanto ao argumento de que os obesos estariam ‘quebrando’ o sistema de saúde, aí vai um teste: entre um obeso, um fumante e uma pessoa saudável, qual deles custa mais para o NHS? Se você respondeu o último, acertou. Porque vive mais, o saudável acaba custando mais aos cofres públicos. O ponto é que nem tudo deve se resumir ao bolso.


Quase nada é tão simples como parece.