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terça-feira, 13 de outubro de 2015

The Big "C"




Aquele, você sabe quem. Ou, aquele que não se pode dizer o nome: Lorde Voldemort. Ele é o arquirrival de Harry Potter e de todos os bruxos do bem. É um personagem feio, soturno, traiçoeiro, cruel. O vilão perfeito. Voldemort simboliza tudo o que existe de mal. Por isso, melhor não falar o nome dele.




Aquele que não se menciona

 

Longe da ficção, um outro vilão muito real é tão assustador, que algumas pessoas preferem não chamá-lo pelo nome. Em inglês, frequentemente se referem a ele como o “Big C”, um “C” maiúsculo: Câncer. Uma palavra que muita gente prefere não dizer, que é para não atrair coisa ruim.



The Big "C"



No mesmo hospital em que nasci, um tio da minha mãe estava internado. Ele acreditava que tinha câncer. Como era velho e solteiro, decidiu que não queria dar trabalho para ninguém. Tirou a própria vida antes de deixar o hospital. Já se vão quase cinco décadas, os tratamentos melhoraram bastante, mas câncer ainda é um assunto que muita gente evita, porque, assim como o Voldemort, é assustador demais.


Outubro é oficialmente o mês de chamar atenção para o câncer de mama. Aqui na Ilha é o mês cor de rosa. Não é à toa. Uma em cada oito mulheres vai ter câncer de mama, mais cedo ou mais tarde. Nós estamos vivendo mais, mas a um custo: nossas células envelhecem e os casos de câncer aumentam. A doença atinge uma em cada três pessoas em algum ponto da vida. Então é melhor começarmos a encarar esse vilão de frente.





Outubro Rosa



Foi o que fez a jornalista e apresentadora da BBC, Victoria Derbyshire, de 47 anos. Em julho, ela foi diagnosticada com câncer de mama. Resolveu fazer um vídeo diário de seu tratamento. No dia 24 de setembro, passou por uma mastectomia. Essa semana, ela divulgou o clipe que gravou assim que voltou para o quarto depois da operação. Num cartaz escrito a mão, ela diz: “esta manhã eu tinha câncer. Esta noite não tenho mais”. Ela aparece maquiada e composta nos vídeos, como se tivesse acabado de dar um upgrade no silicone (se é que alguém sai assim tão ileso de uma cirurgia plástica). A mensagem de Victoria é que câncer não tem e nem precisa ser um bicho de sete cabeças. A jornalista afirma que a experiência de cada um ao lidar com a doença é pessoal, mas que ela não se sente travando uma batalha contra o câncer e sim se tratando de uma doença. Dá a impressão de estar em controle da situação.

 




 
Desmistificar a doença e fazer com que as pessoas possam encarar o câncer de uma forma diferente é louvável. Os vídeos foram o mecanismo que a jornalista da BBC encontrou para lidar com o tumor e suas consequências. Se está fazendo bem a ela, meus parabéns. Entretanto, esse tipo de mensagem me incomoda, porque passa a ideia de um passeio ensolarado num parque florido. O que um câncer definitivamente não é.

Como a jornalista da BBC, eu também não encarei a doença como uma cruzada. Aos 33 anos, recebi o diagnóstico de câncer de intestino. O tratamento envolveu uma cirurgia e seis meses de quimioterapia. Qualquer bocó com dois neurônios operantes sabe que na vida não há garantias de nada. Mas quando a gente descobre que tem uma doença potencialmente fatal, essa vivência é dolorida. Ninguém garante a cura. Nos damos conta de que não temos sequer o controle sobre nossas próprias células. A vida, que é o bem mais precioso que cada um de nós tem, de repente se torna mais especial. E, se não nos permitirmos ter medo, dúvidas e dias ruins, essa caminhada fica pesada demais.

Aqui na Ilha existem várias instituições de caridade empenhadas em tornar essa jornada mais tranquila para os pacientes e suas famílias. Outro dia mesmo, participei de um café-da-manhã para levantar fundos para a Macmillan Cancer Support, uma instituição que existe desde 1911 e batalha para que ninguém tenha que enfrentar o câncer sozinho. Só no ano passado, eles receberam £25 milhões em doações (cerca de R$150 milhões).




Cartaz da campanha da Macmillan


Mas sem dúvida o Cancer Research UK é a maior instituição de caridade do setor. É muito comum ver as lojas do Cancer Research nas ruas de comércio de muitas cidades. São brechós, onde se encontra de roupa a brinquedos, passando por louças e pequenas peças de decoração. Tudo de segunda mão. Tudo para arrecadar fundos. A instituição acaba de anunciar uma bolsa de £100 milhões ( cerca de R$600 milhões) para financiar pesquisas de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer. Essa dinheirama não surge do nada. São 40 mil voluntários fixos e membros da sociedade que se organizam para levantar fundos.







A brasileira Eugenia Andreadis, que mora há 22 anos na Inglaterra, admira o hábito inglês de angariar fundos para instituições de caridades. Eugenia perdeu a mãe, vários parentes e amigos para o câncer e decidiu que gostaria de ajudar a encontrar uma cura para a doença. Ela organiza há três anos um grupo de brasileiras que participa do ‘Race for Life’ do ‘Cancer Research UK’. É um trabalho de formiguinha, mas felizmente esse formigueiro é grande.





Race for Life - Corrida pela vida




Não faz muito tempo, quimioterapia era praticamente remédio de matar rato. As descobertas na genética, o investimento em biomedicina e muita pesquisa têm mudado o tratamento. As boas notícias são mais comuns. Vive-se mais, tolera-se o tratamento melhor.



Câncer pode até não ser uma batalha pessoal, mas ele é sim um desafio mundial. Apesar das conquistas, a expectativa é de que, nas próximas duas décadas, o número de novos casos da doença aumente 70%. Mais de 60% deles na África, Ásia, América Central e América do Sul. Fazer de conta que o câncer não existe para ver se ele vai embora, não vai dar.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Ciência e Fé




A primeira gravidez de Aline terminou em choro. A segunda também. Quando perdeu o terceiro bebê, ela achou que ia ficar louca. Tinha pesadelos horrorosos. Se torturava pensando se havia feito alguma coisa errada, se havia desejado o que não devia. O monstro do pensamento mágico e alienado crescia acelerado. A maternidade era então um sonho doloroso e cada vez mais distante.
Os abortos espontâneos são muito mais comuns do que se pensa. A maioria acontece sem que a mulher sequer soubesse que estava grávida. Estima-se que uma em cada seis gestações não vinguem. Entre dez e vinte por cento das mulheres que, assim como Aline, sabiam que estavam grávidas, perdem os bebês.
 Poucos abortos são investigados. São considerados como o curso normal da natureza. No caso de Aline, que vive aqui na Ilha, os médicos descobriram que os embriões não conseguiam se fixar em seu útero. Mas suspeita-se que entre cinco e sete de cada dez abortos aconteçam porque o embrião tinha alguma abnormalidade cromossômica. Ou seja, no momento da concepção e quando as primeiras células começaram a se dividir, alguma coisa deu muito errado.
Como diz uma amiga cientista: o dia mais importante da sua vida não é dia em que você nasce, mas o momento em que você começa a existir. Essa semana a BBC mostrou mais um documentário primoroso. Em inglês chama-se “Countdown to Life: the extraordinary making of you”. O programa começa como uma cena de cair o queixo da Cidade Maravilhosa, mas show mesmo são as animações gráficas que mostram como cada um de nós começa a ser quem somos.




Assistir do sofá a contagem regressiva da vida é um privilégio. A ciência avançou um bocado desde o ano 2000, quando foi anunciado o genoma humano. Mas quando a gente acha que sabe bastante, aparecem mais dúvidas. Por que tantos embriões são abortados? Como acontecem as abnormalidades genéticas?  E mais crucial, será possível evitá-las?























 

Hoje, nas capas dos jornais The Guardian e The Independent, uma história em comum; esta Ilha pode estar bem perto de começar a realizar modificações genéticas em embriões humanos. Cientistas britânicos pediram ao órgão governamental, que regulamenta as questões de fertilização humana, uma licença para alterar geneticamente embriões, doados por casais que recorrem às clínicas de fertilização artificial.


Se tiverem o pedido concedido, os britânicos vão estar em pé de igualdade com os chineses, os únicos a utilizarem a tecnologia no momento. A intenção não é produzir bebês geneticamente modificados e sim estudar os embriões, na esperança de compreender melhor por que tantas gestações terminam em choro.


A técnica ‘Crispr/Cas9’ de edição genética é polêmica. Os cientistas britânicos reafirmam suas intenções: dizem que não vão produzir um bebê geneticamente modificado. Seria ilegal, extremamente difícil e arriscado, eles argumentam.


Mas os Estados Unidos acham que os chineses foram longe demais. Declararam uma moratória para o uso da tecnologia nos laboratórios do país. Não sai um centavo de dólar do governo federal para bancar  pesquisas deste tipo. Eles querem mais tempo para pensar no assunto.


Os cientistas daqui da Ilha afirmam que as pesquisas são tão regulamentadas, que seria impossível avançar o sinal e produzir bebês geneticamente modificados para atender à vaidade dos pais, por exemplo. O que eles querem é compreender melhor os primeiros estágios do desenvolvimento de uma nova vida humana e, quem sabe, até reduzir o número de abortos em tratamentos de fertilização em vitro. Eles garantem que os embriões serão destruídos depois de quatorze dias de vida.


Quando penso neste assunto me lembro do livro ‘ O físico’ de Noah Gordon (um erro besta de tradução que transformou o título em inglês ‘The physician’ – o médico, em o físico). Batatinhas à parte, a ficção se passa na Idade Média e mostra a saga de um inglês na Pérsia, que vivia a idade de ouro da civilização árabe e judaica. No mundo do século onze, eles ainda batiam um bolão nas ciências, astronomia, matemática e a medicina era muito mais avançada do que o herói do livro conhecia na Inglaterra. Li o livro faz bem mais de uma década. Mas se a memória não me falha, numa das passagens o herói quase se dá mal, quando vai desenhar um osso quebrado. Qualquer representação do corpo humano era considerada heresia.



Já li em mais de um lugar a teoria de que o fundamentalismo de alguns teólogos islâmicos (por volta de 1055 a 1111) mudou o foco do estudo científico para o religioso, menos questionador: as coisas que não compreendemos completamente são desígnios de Deus. Deus sabe o que faz. Essa mudança coincide com o declínio da supremacia árabe no mundo das ciências.


 Quem já teve o privilégio de passear por Cambridge ou Oxford, se encanta com o fato de que tantas descobertas científicas foram feitas em um espaço relativamente pequeno. Lei da gravidade. Fibra ótica, DNA e tantas outras. É a curiosidade que move a ciência. Ela não acerta todas. Tá certo que os erros não são de todo maus, já que podem indicar outros caminhos. Entretanto, em nome da ciência, a humanidade cometeu muita barbaridade. O pulo do gato é encontrar o equilíbrio sem perder a curiosidade e o pensamento crítico.





Alguns dirão que foi o desejo de Deus, outros que só porque a ciência ainda não sabe explicar, não significa que tenha sido milagre. Mas, contrariando todas as expectativas, fico contente em revelar: Aline é hoje uma mãe orgulhosa de três meninas encantadoras, que foram concebidas à moda antiga.



sexta-feira, 12 de junho de 2015

Maternidade no Congelador

 

  

Toda manhã aqui nesta ilha, duas em cada três mulheres (entre 20 e 24 anos)  mandam a pílula goela abaixo, sem nem pensar muito no assunto. De fato, 70% das mulheres no Reino Unido já tomaram o anticoncepcional em algum ponto de suas vidas. É fácil conseguir o medicamento em qualquer farmácia. Basta a receita médica. Um ato tão corriqueiro que a gente se esquece de que já foi diferente.
  
 
 
Gregory Pincus
 

O ‘pai’ da pílula é um biólogo americano chamado Gregory Pincus. Mas o ‘nascimento’ da droga bem que poderia ser creditado ao encontro do cientista com duas mulheres poderosas e determinadas na metade do século vinte.



Margaret Sanger

  


A mãe de Margaret Sanger morreu aos 50 anos, depois de ficar grávida 18 vezes. Diz a história que Margaret teria acusado seu pai, ao lado do caixão, de ter provocado a morte da mãe, por ela ter tido tantos filhos. Margaret estudou enfermagem e sonhava com uma pílula mágica para prevenir gravidez indesejada. Assim como Pincus, Margaret era uma pioneira. Ela foi responsável pelo termo controle de natalidade, em 1914. Em 1916, abriu a primeira clínica de planejamento familiar nos Estados Unidos e foi presa por distribuir material com informações sobre métodos contraceptivos.

 
 
 
Katherine McCormick
 
 

Katherine McCormick era outra pioneira. Foi a segunda mulher a se formar no MIT (Massachussetts Institute of Technology), uma das melhores universidades do mundo. Ela se casou com um milionário, que acabou ficando doido e coube a ela administrar o império do marido. McCormick era uma feminista cheia da nota e interessada em planejamento familiar.
 

A ideia de se produzir um anticoncepcional era muito mal vista nos Estados Unidos da era McCarthy (1950/1956). Querer controlar o número de nascimentos era coisa dos vermelhos, os comunistas. A indústria farmacêutica era reticente em investir nas pesquisas, pois considerava um tiro no escuro, que poderia ser potencialmente perigoso. As universidades também não queriam arriscar suas reputações em uma pesquisa cercada de controvérsias.
 

Margaret Sanger foi a ponte entre Pincus (ciência) e McCormick (dinheiro). A milionária teria doado mais de 12 milhões de dólares para financiar as pesquisas do anticoncepcional. A nova droga foi testada primeiro em mulheres de Porto Rico e do Haiti.

 
 

 
70% das mulheres no Reino Unido já tomaram

 

 

 A pílula chegou a esta ilha em 1961. Inicialmente era prescrita somente para as mulheres casadas e que já tinham filhos. O governo não queria incentivar ‘o amor livre e a promiscuidade’. Até 1974, as solteiras tinham que fingir que eram casadas para conseguir o contraceptivo. 
 

A primeira geração do medicamento tinha em média quase o dobro de estrogênio e dez vezes mais progesterona do que as disponíveis no mercado atualmente. Muitas mulheres reclamavam de ganho de peso, dores de cabeça e enjoo. Descobriu-se mais tarde, que as primeiras versões do anticoncepcional aumentavam o risco de câncer e trombose. Mesmo com todos os desacertos, Valerie Beral (uma professora de Oxford e estudiosa da pílula) acredita que o contraceptivo ‘foi para a saúde da mulher, a coisa mais importante da segunda metade do século vinte’. Entretanto, quando foi introduzida no mercado, a pílula não enfrentou somente  resistências morais e religiosas. Alguns profissionais da área de saúde questionavam se era ético medicar mulheres saudáveis.


Empresas oferecem ajuda para congelar os óvulos
 
  
 
Apple e Facebook anunciaram recentemente que vão subsidiar os custos do congelamento de óvulos de suas funcionárias, que quiserem adiar a maternidade. Nas duas empresas, cerca de 70% dos funcionários são homens. Com o ‘agrado’, elas esperam atrair mais mulheres para seus quadros.
 
 Congelamento de óvulos não é nenhuma novidade. Inicialmente o tratamento era oferecido a pacientes de câncer, que corriam o risco de infertilidade por causa da quimioterapia. Contudo, a prática vem crescendo nesta ilha. Só no ano passado houve um aumento de 400% no número de mulheres que congelaram os ovos, uma espécie de caderneta de poupança da fertilidade humana. Como no caso da pílula, profissionais da área de saúde e líderes religiosos questionam se é ético submeter mulheres saudáveis e provavelmente férteis a tratamentos de saúde, que podem fazer com que essas pacientes acabem de fato doentes.

‘É como ter TPM todos os dias da sua vida’. Assim uma amiga próxima descreveu o tratamento para que seu corpo produzisse mais óvulos, na esperança de que eles fossem fertilizados e produzissem o filho, que ela tanto desejava. As mulheres, ao contrário de outros mamíferos, não produzem muitos ovos todo mês. O sucesso da fertilização em vitro depende de uma série de fatores: em primeiro lugar, a idade da mulher. Também conta se ela fuma, bebe. Se é obesa ou muito abaixo do peso. Mas em geral, o índice de sucesso de cada óvulo é de cerca de 6%. Por isso, são necessários entre vinte e trinta ovos para que a mulher tenha alguma chance de engravidar. Para que a ‘colheita’ de ovos valha a pena, a candidata se submete a um tratamento que estimula o corpo a produzi-los em maior escala. Como em qualquer outra intervenção médica, tem seus riscos para a saúde.
 
 
Pesquisando para este post, acabei encontrando um debate muito interessante na TV Al Jazeera. De um lado, a católica Josephine Quintavalle, diretora da Corethics - uma entidade que questiona os dilemas éticos da reprodução humana. Do outro, Dominic Stoop, um ginecologista, diretor do centro de medicina reprodutiva de uma universidade em Bruxelas. Ambos tinham argumentos fortes sobre o assunto. 


Para Josephine, a discussão está no lugar errado. Segundo ela, a sociedade devia questionar mais as condições de trabalho da mulher; elas deveriam ter a oportunidade real de desenvolver uma carreira ao mesmo tempo em que ‘produzem’ uma família. Depois dos 35 anos de idade, a fertilidade feminina despenca. Ao invés de tentar comprar mais tempo, segundo ela, o debate deveria estar focado não em adaptar a biologia à sociedade e sim o contrário. Ponto para Josephine. Mas, na prática, o quão realistas são suas aspirações? 


O ginecologista encara o assunto como medicina preventiva. Ele revelou que 80% das mulheres que procuram sua clínica na Bélgica são solteiras. Dr Stoop acredita que as mulheres não estejam adiando a maternidade apenas para cuidar de suas carreiras profissionais. Para ele, o principal motivo alegado por suas pacientes é de que elas ainda não encontraram o homem ideal. Aí é que a discussão começa a ficar mais interessante.
 


Os óvulos podem passar até 10 anos no nitrogênio líquido
 



Apesar de todas as restrições ao uso da pílula na década de 60 neste lado do planeta, o número de usuárias subiu de 50 mil para um milhão entre 1962 e 1969. Hoje mais de 3.5 milhões de mulheres fazem uso do medicamento nesta ilha – 100 milhões ao redor do mundo. Ou seja, havia e ainda há uma demanda enorme pelo produto. Cinquenta e poucos anos após a invenção do anticoncepcional, a pílula é frequentemente acusada de promover promiscuidade, aumentar o número de doenças sexualmente transmissíveis (despreocupados com uma gravidez indesejada, os casais se importam menos em prevenir as DST), além de destruir famílias e casamentos.


Talvez o maior legado da pílula tenha sido a independência feminina. É claro que existiam outros métodos anticoncepcionais, mas não eram tão confiáveis e dependiam da boa vontade masculina. Sexo antes do casamento era um risco absurdo para a mulher. Até a invenção do contraceptivo oral, os casais se casavam mais cedo. As mulheres engravidavam logo, tornando quase impossível um investimento na carreira profissional. E se é para ficar em casa cuidando de criança, para que estudar?  Esse cenário mudou e todo mundo sabe disso.
 


A mulher que estuda mais e investe na carreira é mais seletiva. Ela quer um parceiro que, sem trocadilhos, seja páreo para ela. Esta é uma das possíveis explicações para o fato de que as mulheres estejam achando mais difícil encontrar o homem ideal. E se esse ‘encontro’ estiver mais difícil porque os homens estão menos disponíveis?  Na década de 50 no Reino Unido, apenas um em cada cem adultos dividia a mesma casa com outro adulto sem ser casado. Hoje em dia este número caiu para um em cada seis. A bola está com as mulheres. Justo ou não, existe a noção de que se ela engravidou, foi porque não se cuidou. Os homens já não se sentem obrigados a casar para ‘corrigir um malfeito’. Também não precisam se casar para se relacionar sexualmente com as namoradas.
 


Outro dia li a história de uma alemã de 65 anos grávida de quadrigêmeos, graças a um tratamento. Este tipo de notícia cria a falsa impressão de que a tecnologia controla a biologia. Para os casais que tiveram filho, ajudados por técnicas de reprodução em vitro, a afirmativa acima é a mais pura verdade. Mas tem limite.
 


A caderneta de poupança da fertilidade é um investimento de altíssimo risco. Um risco que o Dr Robert Winston, especialista em fertilidade, desaconselha. Para ele, ainda não está claro o índice de sucesso do congelamento (os óvulos podem passar até 10 anos no nitrogênio líquido). Além do mais existe uma chance muito alta de abortos e ainda não é possível prever se os bebês vão desenvolver doenças, que ainda não conhecemos. Nada é garantido.
 


A mulher, que procura uma clínica para congelar os óvulos, quer ter mais controle sobre seu corpo. Se é certo ou errado essa é uma questão muito íntima. O que não pode acontecer de jeito nenhum é a mulher se sentir obrigada por seu empregador a tomar essa decisão. Ela deve ser informada sobre riscos e chances de sucesso.

 

Hoje de manhã li a notícia de que cientistas japoneses conseguiram que um peixe fêmea produzisse espermatozoides. Sei lá se é a última pegadinha da internet. Se não for, a discussão no futuro pode ser bem diferente.
 




domingo, 8 de fevereiro de 2015

Vacinar ou não vacinar?




Roald Dahl é um dos autores mais queridos da literatura inglesa com suas narrativas malucas, às vezes frias, mas sempre escritas de forma primorosa. Talvez você não ligue o nome à obra, mas duas das histórias que saíram de sua cabeça viraram filmes famosos, que provavelmente você assistiu, ou pelo menos já ouviu falar: ‘A fantástica fábrica de chocolate’ e ‘Matilda’. Os livros são uma belezura, muitas vezes têm um toque de humor negro e final inesperado. Seus vilões são horrorosos, como a terrível diretora da escola de Matilda. São livros que cativam a atenção das crianças, porque não tratam a criança como se ela fosse boba. Como criança não é nada boba, os livros fazem sucesso.

Dahl morreu em 1990. Deixou uma vasta obra que inclui romances, contos, poesia, peças de teatro, ensaios, roteiros para cinema, rádio e tevê, além dos livros infantis. Mas é um de seus textos, mais precisamente uma carta escrita em 1986, que os jornais resolveram desempoeirar essa semana. A carta é a mais nova arma daqueles que apelam para que os pais vacinem seus filhos.


Olivia, a filhinha mais velha de Dahl, morreu aos sete anos, vítima de sarampo em 1962. A doença tomou um rumo perigoso, provocou uma encefalite, que é uma inflamação aguda no cérebro. Dahl só conseguiu escrever sobre o assunto vinte e quatro anos após a morte da filha. Na carta escrita para uma publicação governamental da área de saúde, ele contou que a menina parecia estar se recuperando. Ele brincava com ela, quando reparou que ela estava perdendo a coordenação motora e parecia confusa. Olivia disse então que estava com muito sono. Uma hora depois estava inconsciente. Doze horas mais tarde, morta. Dahl não usou meias palavras quando falou de vacinas: ‘É quase um crime deixar sua criança sem imunização’, ele concluiu em sua carta.







Roald Dahl com a família


Por que mexer nessa história justo agora? Porque os Estados Unidos estão vivendo um surto de sarampo. Cento e dois casos parecem estar ligados à Disneylândia, onde os pacientes teriam sido contaminados por outros visitantes. Este é apenas o surto mais recente. No ano passado foram 644 casos confirmados. O triste é que no ano dois mil, os americanos haviam anunciado que a doença estava erradicada nos Estados Unidos.


Sarampo é uma doença viral altamente contagiosa. Nos países ricos, mata um em cada cinco mil pacientes. É bem mais letal nos países mais pobres, onde um em cada cem morre. Muitos pacientes sofrem sequelas para o resto da vida. Para se erradicar a doença, pelo menos 95% da população deve ser vacinada.


Toda comoção e atenção que a mídia dá ao assunto no momento nos Estados Unidos, esta ilha viveu dois, três anos atrás. O Reino Unido também havia erradicado o sarampo, mas um surto da doença custou a vida de um homem de vinte e cinco anos no País de Gales, em abril de 2013. Ele não era vacinado.  O problema é que desde o final do século passado, por volta de 1998, o número de pais que vacinaram seus filhos caiu consideravelmente neste país. O que teria provocado a queda? Por que a recusa em vacinar?


Em 1998, um gastroenterologista chamado Andrew Wakefield publicou na revista científica ‘The Lancet’ um estudo relacionando a vacina triviral (sarampo, caxumba e rubéola) com autismo. A vacina estaria provocando autismo em bebês, segundo ele.


O artigo de Wakefield é tão incorreto, desonesto e fraudulento, que levaria bem mais de um post para explicar suas falcatruas item por item. Ele descreve o caso de uma dúzia de pacientes, que apresentavam problemas intestinais e comportamentais, a maioria no espectro do autismo. Dos doze, oito teriam apresentado os problemas depois de receberem a vacina tríplice, segundo os pais dessas crianças. O estudo falha nos princípios mais básicos da pesquisa científica. Apenas reporta os casos e sequer os compara com outro grupo, que também recebeu a vacina. Mais tarde ficou provado que ele falsificou alguns dos dados e que as crianças em seu estudo não apresentavam doença crônica no intestino. Para piorar, concluiu-se que a pesquisa foi antiética e irresponsável. Wakefield teria sujeitado seus pacientes a exames dolorosos, caros e totalmente dispensáveis.  O estudo de Wakefield falhou em provar a conexão entre a vacina e o autismo. Se você se interessa pelo assunto, dê uma olhada no livro do médico Ben Goldacre (Ciência Picareta da editora Civilização Brasileira) e em inglês www.badscience.net .




Capa do livro de Ben Goldacre


Em 2010, a máscara caiu. Wakefield foi acusado de fraude e teve seu registro de médico cassado. Um editorial do ‘The Lancet’, anunciou que o artigo era uma elaborada obra de falsidade e se defendeu dizendo que eles haviam sido enganados. O problema é que neste meio tempo, entre a publicação do artigo de Wakefield e o fim da farsa, a mídia deitou e rolou na história. Uma boa teoria da conspiração e um mal invisível vendem mais do que pãozinho fresco. Muitos pais, bombardeados pelas notícias, resolveram arriscar. Melhor não vacinar e evitar que o filho se torne autista. Afinal, o sarampo foi erradicado, que mal vai fazer? Apresentados com a escolha (mentirosa) de dois infernos, escolheram o que achavam ser o menos ruim. A bomba foi estourar anos mais tarde, quando o país se viu frente a frente com um surto da doença, que já deveria ter sido relegada aos livros de história da medicina.


 A imprensa não perdeu a oportunidade. Cobriu o surto como se cobre uma epidemia de ebola. Muitos pais correram para vacinar seus filhos. Pela primeira vez o número de imunizações começou a subir, embora em várias regiões ainda não tenha chegado aos esperados 95%. É que a semente da desconfiança foi plantada, teve tempo de crescer e aí, para arrancar essa erva daninha, não é fácil.

Vacina triviral



Jake tem sete anos. Ele também tem câncer. Todo mundo na escola onde ajudo como voluntária já ouviu falar do menino. É o pior pesadelo que um pai pode ter. Numa manhã de segunda-feira na cafeteria perto da escola, havia uma mulher chorando na mesa ao lado da minha. Menos de vinte centímetros separavam nossas mesas. Foi impossível não ouvir o que ela dizia. Eu a conhecia de vista, mas não sabia quem ela era. Era a mãe de Jake, vivendo uma semana difícil. Ela contava da dor de ver o filho tão abatido, depois do último tratamento de quimioterapia. A fala dela oscilava, ela pedia muitas desculpas por ‘estar dando show em público’. Enxugava o rosto, secava o nariz e recomeçava. De repente, notei uma mudança no tom de voz. Ela estava mais irritada. Havia achado um bode expiatório para sua dor. Um bode é verdade, mas bem real: Os pais que não vacinam os filhos.


Uma semana antes, a escola havia mandado para casa uma circular informando que um de seus alunos sofria de leucemia e convocando os pais a vacinarem seus filhos. Pesquisando para este post, descobri que a escola e a mãe de Jake tinham motivos de sobra para se preocuparem. A escola fica numa das piores regiões do Reino Unido em termos de imunização. Em 2012, apenas 79% das crianças eram vacinadas. A quimioterapia de Jake destrói as defesas do organismo do menino. Se contaminado com um vírus tão violento quanto o do sarampo, ele não teria a menor chance.


Ao redor do mundo, o sarampo ainda é uma das doenças virais que mais mata, principalmente crianças em países pobres. Em 2001, fez cento e cinquenta e oito mil vítimas fatais. Entre elas bebezinhos, que ainda não foram vacinados, e pacientes vulneráveis como Jake. Muitas dessas mortes poderiam ter sido evitadas, se a população fosse vacinada e a doença erradicada.


Vacina contra a polio


A desinformação e a ignorância matam. O começo do século XXI veio com a promessa de erradicação da poliomielite da face da Terra. O mundo chegou bem pertinho de realizar este sonho. Mas o número de casos tem subido em alguns países mulçumanos, onde a população foi convencida por líderes religiosos de que as vacinas fazem parte de um plano norte-americano para inocular o vírus da AIDS no povo. Nada como uma teoria conspiratória...


Mas erra quem acha que o problema está restrito aos cantos mais pobres do planeta. Wakefield e sua pesquisa fraudulenta fazem sucesso, adivinhe onde? Nos Estados Unidos, que também adoram uma teoria conspiratória.


Manfiestantes contra a vacina triviral


Do outro lado do Atlântico, na França da década de noventa, o pânico foi por causa de uma vacina de hepatite B, que estaria provocando esclerose múltipla. Uma teoria sem fundamento que se espalhou no país como fogo na mata seca. Afinal, onde há fumaça há fogo, certo? Errado. A fumaça da desconfiança era só fumaça mesmo.


Vacinar ou não vacinar?  Isto ainda é uma questão?  A vacina, ou melhor, a falta dela mudou para sempre a história do Brasil. Em 1788, Dom José morreu de varíola em Portugal. Na época, a vacina contra a doença era aplicada em vários países europeus. Para quem não está assim tão familiarizado com a história da realeza portuguesa, D. José era o primeiro herdeiro ao trono. Ele havia sido educado para ser o regente. D. José não tomou a vacina contra varíola, porque sua mãe tinha muitos ‘escrúpulos religiosos’, como conta Laurentino Gomes em seu livro 1808, que narra a fuga da família real portuguesa para o Brasil. No lugar de D. José, assumiu o segundo na linha de sucessão. Dom João VI era despreparado para o cargo. Não havia recebido a mesma formação de Dom José. Como seu irmão mais velho teria reagido à ameaça de Napoleão Bonaparte nunca saberemos. O que sabemos é que a mãe de José e João, Dona Maria I entrou para a história como a Rainha Louca.




 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Um bebê, três pais


 

Janeiro de 1803. Londres. Prisão de Newgate. George Foster está prestes a morrer. Ele foi condenado à forca pelo assassinato da mulher e filha. Foster jurou inocência. Os amigos testemunharam seu bom caráter. Ele tinha até um álibi. Pobre, sem dinheiro, não teve a menor chance de defesa. O juiz foi implacável em seu veredito.

 

Não muito distante da prisão, Giovanni Aldini, um cientista italiano esperava a execução com ansiedade. No começo do século XIX na Inglaterra, só os corpos dos piores criminosos poderiam ser dissecados. Pela capital circulavam notícias horrendas de pessoas que acordaram quando suas pernas, ou braços, eram serrados. Tempo sinistro. Aldini era extremamente ambicioso. Ele havia convencido seus colegas da universidade que, se eles lhe dessem um cadáver intacto, ele traria o morto de volta à vida!

 

Depois de ficar dependurado na forca durante uma hora, o corpo de Foster foi levado para o Royal College of Surgeons, uma instituição de prestígio na época. Lá o experimento macabro foi testemunhado por médicos, cientistas e membros do público. Aldini ligou eletrodos aos pés, braços, peito e testa do defunto. Assim que a corrente elétrica passou pelo corpo de Foster, ele começou a mexer a mandíbula e se contorceu até que chegou a abrir o olho esquerdo. O contorcionismo convulsivo durou até a bateria acabar. As testemunhas concluíram que ele não havia voltado à vida. Aldini caiu em desgraça. Partiu para a Itália com o rabo entre as pernas, culpando a bateria por seu fracasso. Sempre a tecnologia...




O ambicioso Aldini





 

A história, no entanto, sobreviveu e animou os salões da sociedade inglesa. Numa dessas reuniões estava uma menina chamada Mary Shelley. Escondida no topo da escada, ela ouvia e absorvia as histórias dos adultos como terra seca bebe água. Anos mais tarde, Mary criou seu personagem mais famoso: Victor Frankenstein.

 



A curiosa Mary Shelly, que tinha muita imaginação.

 

Frankenstein de Mary Shelly



É curioso que sempre que se discute um avanço da ciência, Frankenstein é tirado de seu descanso. Foi assim em julho de 1978, quando nasceu Louise Brown. O primeiro bebê de proveta. Durante nove anos, os pais de Louise tentaram sem sucesso produzir um filho à moda antiga. Eles eram os candidatos perfeitos para a nova técnica de reprodução.
 

Na época em que se discutia a possibilidade de fertilização em vitro, um cientista americano chamado Leon Kass, que mais tarde seria conselheiro do governo Bush para bioética, foi radicalmente contra. Ele argumentava que o risco de produzir bebês com sérias anomalias seria enorme.
 

De 1978 para cá, mais de três milhões de crianças, que foram concebidas em tubos de ensaio, vieram ao mundo. O número de anomalias é o mesmo que em crianças concebidas naturalmente. A tecnologia trouxe muita alegria para casais que não podiam ter filhos. Mesmo assim, ainda hoje o assunto gera polêmica.

 

A Igreja nunca achou graça nessa história de bebê de proveta. Condena o uso de tecnologia para substituir o ato sexual com fins reprodutivos. Em 2008, a Igreja Católica publicou o Dignitas Personae, um documento da Congregação da Doutrina e Fé enumerando as razões pelas quais se opõe à fertilização em vitro. Uma delas é que muitos embriões são criados no processo e poucos sobrevivem. Os cientistas rebatem o argumento dizendo que a maioria dos embriões concebidos durante a relação sexual falha em sua missão de se implantar no útero. Em outras palavras, não vingam e a mulher sequer soube que estava ‘grávida’. Também no processo natural muitos embriões são criados e poucos sobrevivem. 



Tenho uma conhecida que quis batizar os filhos, numa igreja católica no condado de Kent ao sul da Inglaterra. O padre se recusou a batizá-los, porque eles eram bebês de proveta. Foi a última vez em que ela viu o padre ou a igreja em questão.
 
 
 



Fertilização em vitro condenada pela Igreja

 

 No ano 2000, quando se anunciou o mapeamento genoma humano, editei uma série de reportagens sobre o assunto. Lembro-me claramente das manchetes da época. Desvendado o alfabeto da vida era uma delas. O tom de muitas reportagens era alarmista. Usavam sem miséria a expressão ‘brincando de Deus’. Temia-se que a nova descoberta iria abrir as portas para bebês geneticamente alterados. Os pais poderiam selecionar o sexo e até a cor dos olhos dos filhos, criando-se Frankensteins genéticos.
 

Quinze anos mais tarde, a possibilidade de se criar um bebê    geneticamente modificado é real. Cientistas ingleses desenvolveram uma tecnologia que trucida a matemática da genética, como conhecíamos até hoje. Esqueça a equação um óvulo + um espermatozoide = embrião. A nova técnica propõe criar uma vida humana com dois óvulos e um espermatozoide. Isso se o Parlamento inglês aprovar uma lei que abre caminho para o bebê de três pais*. E o que Maria ganha com isso?
 

Maria eu não sei. Mas para muitos casais a nova tecnologia vai trazer tanta alegria quanto aos pais dos milhões de bebês de proveta. Algumas crianças nascem com uma doença genética gravíssima e incurável porque a mitocôndria, presente nas células, é incapaz de transformar comida em energia. A mitocôndria que não funciona bem é passada pela mãe e os filhos afetados sofrem danos cerebrais, musculares, cardíacos e cegueira.

 

A nova tecnologia usa o óvulo da mãe, mas substitui a mitocôndria que não funciona bem por outra, retirada do óvulo de uma doadora. Apenas 0,1% do material genético da doadora passa para o bebê. O Parlamento Britânico deve votar hoje se aprova ou não o uso da tecnologia. Posso apostar que Sharon Bernardi vai acompanhar a votação de perto. Ela perdeu sete filhos para a doença. http://www.bbc.co.uk/news/health-23095000

 

 

Hoje de manhã ouvi um parlamentar do partido conservador dizer no rádio que vai votar contra. O argumento dele é que não se pode abrir a porta para a manipulação genética de embriões porque, ‘daqui a pouco os pais vão querer escolher a cor dos olhos dos filhos’. Sei não, já ouvi esta frase antes em algum lugar. Os anglicanos e católicos também  têm  trabalhado duro no lobby contrário à aprovação da lei. Se dizem solidários com os pais, mas que questões éticas precisam ser melhor pensadas e querem garantias de que a técnica vai funcionar. Pedem mais tempo.

 

Os avanços científicos costumam vir acompanhados de polêmicas e questões éticas, que são importantes e não podem ser desprezadas. Numa das entrevistas que ouvi sobre o assunto, uma mulher dizia que tinha pena das famílias afetadas pela doença genética, mas que a natureza devia seguir seu curso. Ainda bem que nem todo mundo pensa assim. Porque se não fosse pelo antibiótico, só para citar um exemplo, a natureza teria dado cabo de muita gente e talvez eu ou você não estivéssemos aqui hoje pensando sobre o assunto.

 
 
 

 
Só mais uma coisa antes de eu ir. Será que é hora de parar de ‘brincar de Frankenstein’? Hoje em dia é fácil rir de Aldini e sua tentativa  rocambolesca de trazer um homem de volta à vida. Seus planos eram audaciosos demais, mas não de todo estúpidos. O desfibrilador, aquele aparelho que dá choques no coração que bate fora do ritmo, não traz ninguém de volta, mas adia a ida de muitos pacientes para o além.


Ganha um doce quem advinhar de onde veio a ideia de criar o equipamento.



 

     A lei foi aprovada por 382 parlamentares. 128 votaram contra.